Resenha: Feminismo para os 99% Um manifesto

10 de março de 2019



  • autoras: Cinzia Arruzza
    Tithi Bhattacharya
    Nancy Fraser
  • tradução: Heci Regina Candiani
  • prefácio: Talíria Petrone
  • orelha: Joênia Wapichana
  • título original: Feminism for the 99%: a manifesto
  • selo: BOITEMPO EDITORIAL
  • páginas: 128
  • ano de publicação: 2019

Neste 08 de março de 2019, tivemos um lançamento maravilhoso da editora BOITEMPO que traduz uma necessidade de luta e de enxergar o dia da mulher com crítica e reflexão. O manifesto Feminismo para os 99% propõe que o feminismo seja antirracista, anti-imperialista e, sobretudo, anticapitalista, visto que, na visão das autoras, o feminismo que estamos pregando hoje, dentro dos moldes capitalistas, é para 1%.

O ataque principal do manifesto é, portanto, ao sistema e de como ele atinge todos os setores possíveis da nossa sociedade. O manifesto é dividido em 11 teses. Nessas teses, temos, através de uma escrita, ainda que densa, bem fluida críticas que giram em torno de diversos tópicos; um deles é o feminismo liberal que se baseia na meritocracia e não na igualdade. As autoras nos mostram que esse feminismo forja um discurso de diversidade em cima da exploração de outras mulheres: “o feminismo liberal terceiriza a opressão (p.38)”. É um feminismo de celebridade, no qual a ascensão da mulher só existe para continuar gerando lucro ao sistema capitalista e oprimindo outras mulheres. O que está atrás dele, além do próprio capital, são burocratas do sexo feminino, feministas para 1% e não para os 99%. Essa tese do manifesto me fez refletir sobre algo que já me incomodava há bastante tempo: até que ponto o feminismo das atrizes de Hollywood, das mulheres da Rede Globo,  é de fato libertário? A resposta que Cinzia, Tithi e Nancy nos dá é que esse feminismo não é libertador. O manifesto, ainda, sugere uma reflexão sobre a sexualidade regulada pelo capitalismo:
“As novas culturas heterossexuais baseadas em relações sexuais e encontros on-line conclamam as mulheres jovens a ser “donas” de sua sexualidade, mas continuam a classificá-las pela aparência de acordo com a determinação dos homens.” (p. 72)
Logo, o feminismo para ser libertador deve atacar o sistema capitalista e as suas raízes, segundo as autoras não adianta lutarmos por uma igualdade se a realidade é miserável.
As teses, ainda, voltam-se à análise ecológica, o que achei amplamente válido, visto que dificilmente esse tópico é ligado ao feminismo. As autoras evidenciam que a exploração da natureza atinge diretamente as mulheres, uma vez que muitas delas estão em regiões do mundo em estado de vulnerabilidade e dependem dos recursos naturais para sobreviver, as mulheres, segundo um exemplo do manifesto, são 80% das pessoas refugiadas em função do clima.
Os argumentos, além disso, centram-se bastante em um tópico do qual ainda não tinha me deparado: a crítica ao capitalismo em relação à reprodução de pessoas e a obtenção de lucro. Outro fator que atinge o sexo feminino. A sociedade capitalista espera das mães filhos fortes para somar à força de trabalho, no entanto, não dá a elas as condições necessárias de vida. O capitalismo nos atribui o trabalho de reproduzir, mas não de produzir trabalhos que sejam produtivos.
Na leitura, nos debruçamos também em uma questão que parece nova nas teorizações feministas, as duas saídas equivocadas que são vislumbradas hoje: o reacionarismo sexual e o liberalismo sexual. O primeiro é determinado pelos princípios conservadores, LGBTfóbicos, sexistas; o segundo levanta a bandeira de uma igualdade falaciosa, pois até essa liberdade está sujeita aos fins capitalistas de lucro.
No manifesto, elas nos exemplificam essa tese com os Estados que alegam reconhecer o direito de pessoas trans, mas não bancam a transição delas. Tal argumento me fez pensar o quanto a indústria farmacêutica não lucra quando as novelas mostram personagens trans que conseguem passar pela transição depois de algumas dificuldades. Eles levantam o tema superficialmente, já que não problematizam a raiz dele que é o capital. Temos, assim, a falsa impressão de que há progresso, no entanto, na realidade fora da ficção, pessoas trans morrem em clínicas clandestinas e não conseguem bancar suas transições.
O manifesto propõe como uma das soluções para construir o feminismo para os 99% a união de todos os movimentos radicais: ambientais, antirracistas, anti-imperialistas, LGBTQ+. Cada movimento tem suas próprias formas e demandas específicas, mas os problemas de todos eles têm a mesma raiz: o sistema capitalista.
“Rejeitando não apenas o populismo reacionário, mas também seus oponentes progressistas neoliberais, pretendemos identificar e confrontar diretamente a verdadeira origem da crise e da miséria, que é o capitalismo.” (pg. 47)
Com um prefácio digníssimo que faz alusão ao governo de Bolsonaro e homenageia Marielle Franco, o manifesto Feminismo para os 99% é uma leitura urgente que nasce no dia Internacional das mulheres, enquanto lançamento, mas deve viver todos os dias em estantes, bibliotecas, escolas, trabalhos e casas de todas as pessoas do mundo, enquanto semente de luta.


Carol Marcondes








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O melhor jeito de estudar literatura

15 de junho de 2018


É muito comum que durante a época de estudos para o vestibular nossa atenção não se volte da mesma forma para todas as matérias. O que ouço de muitos alunos é a dificuldade de estudar humanas, visto que a atenção muitas vezes se volta mais às exatas. Falando da minha área, algumas das dicas que tenho nas mangas para dividir com vocês que têm dificuldade para estudar literatura são: 

1 - Alie as aulas de literatura com as de história

As produções literárias que estudamos foram escritas dentro do contexto de uma época, portanto quando estudamos x período literário devemos lembrar da contextualização histórica desse período. É dessa maneira que fazemos relações mais aprofundadas da obra e de seu tempo, de seus impactos e do que elas agregam para o agora. Por isso, estude história relacionando com a literatura e vice e versa. 


2 - Não se limite às aulas, fiche um material a parte

Não adianta apenas assistir às aulas, é importante ter um bom material didático em mãos e fazer o fichamento dos textos, de modo a destacar o que é mais importante. O ato de ler e escrever ajuda no processo do entendimento, por mais "fácil" que o conteúdo possa parecer, assistir à aula sobre ele não basta e você corre mais chances de esquecê-lo no dia da prova. Depois das aulas e dos fichamentos o exercícios também são fundamentais.

3- Procure sempre relacionar as obras da lista 

É cara da FUVEST elaborar questões de literatura relacionando as obras da lista entre si. As perguntas podem cobrar as diferenças entre elas ou as semelhanças, as questões políticas que entram em contraste, as históricas, os perfis dos personagens, etc. Dessa forma, esteja preparado já na hora da leitura, reflita se ela tem algum ponto de encontro com outra que você leu, as diferenças essenciais. Veja um exemplo da FUVEST 2017 que cobra essa relação entre as obras:



4 - Assista à palestras de obras literárias

Além de ler o livro da lista de leitura obrigatória, assistir às palestras das obras é essencial. O professor sempre chama atenção para um ponto que na sua leitura pode ter passado desapercebido ou também pode ajudar para aquelas obras que não deu tempo de ler. Caso você não tenha lido algum livro da lista a tempo do vestibular, o fundamental é assistir à aula sobre ele ao invés de só ler o resumo. Esses eventos estão sempre acontecendo nas bibliotecas municipais, cursinhos ou universidades, fiquem atentos às páginas do Facebook e sites sobre o assunto.

5 - Estude literatura dentro do contexto de outras artes

Como colocado no item 1, que pede para aliar as aulas de história com as de literatura, alie também a literatura e as outras artes: esculturas, pinturas, músicas... Se você está estudando, por exemplo, o Romantismo na literatura, vá além! Pesquise os pintores desse período, as músicas que estavam sendo produzidas, as relações dessas artes com as obras literárias. O vestibular está cada vez mais explorando isso, é muito comum ver no ENEM a análise de canções e de pinturas. Então, fique esperto!

Confira aqui a lista de obras obrigatórias dos vestibulares:



Postado por: Carolina Marcondes

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Dois métodos de organização

21 de abril de 2018


Oie, hoje vou ensinar dois métodos que me ajudam muito na organização de tarefas, horários, etc. Manter o dia a dia organizado é uma forma de aproveitar melhor o seu tempo, com isso você consegue visualizar seus horários, encaixar algo que gosta de fazer, perceber que tem uma  horinha a mais que dá pra descansar e que você nem percebeu antes, além de tudo ajuda na qualidade do cotidiano!
Método 1 - Visão geral  (método da primeira foto)
Escrevo no meu bullet journal (você pode fazer isso na agenda, caderno, numa folha de sulfite, onde você preferir) os horários do meu dia, desde a hora que eu acordo até a hora de dormir (geralmente coloco uma hora a mais do planejado para encaixar os imprevistos) ao lado dos horários vou encaixando blocos que me dizem o que eu faço naquele horário, exemplo: das 5h até as 7h30 eu acordo, preparo meu café da manhã e vou pra faculdade, no percurso eu faço leitura de algum livro e/ou leio uma notícia em inglês e/ou adianto alguma coisa da faculdade. Meu percurso é demorado então ter algumas opções de como aproveitá-lo me ajudou muito a otimizar o tempo.
E assim vou seguindo os horários fazendo a mesma coisa, das 16h até as 18h eu finalizo os horários de estudo e/ou estou em percurso pra voltar pra casa, faço meu lanche da tarde e vou pra academia. Do lado eu preencho com alguns blocos com lembretes de coisas que faço que melhora a rotina, tipo deixar tudo organizado durante a noite ao invés de fazer isso de manhã, meditar antes de dormir, etc. Minha rotina é flexível, portanto, esse método me ajuda a visualizar minhas opções de acordo com tudo que faço durante a semana.

Método 2 - Visão diária



Esse método eu faço no Excel (dá pra fazer sem utilizar essa ferramenta) e geralmente eu imprimo e colo em um lugar que visualizo sempre (no meu caso é na minha agenda). Trata-se de separar cada dia da semana (faço sempre até sexta meus planejamentos) e colocar os horários, desde a hora que eu acordo até a hora que eu durmo (nesse caso, eu só coloquei até a hora da minha última atividade). Você pode colocar os horários que você achar melhor, o importante é englobar a maior parte das suas atividades durante o dia. E em cada dia da semana eu preencho de acordo com os horários os afazes do dia, exemplo: 8h00: primeira aula, 12h00: almoço, etc. A diferença desse método para o primeiro é que nesse eu não visualizo tão bem as alternativas do dia a dia, exemplo posso almoçar 12h ou 14h depende do dia da semana, posso aproveitar o horário do percurso pra fazer tal coisa, etc. Mas também é muito bom pra organizar e é mais prático.

Existem outros métodos para organizar a rotina que eu uso e aprovo (farei em outras postagens futuramente) manter essa organização ajuda muito!! Claro que não é todo dia que estamos produtivos e isso é normal, mas manter essa visualização da rotina ajuda muito na produtividade, qualidade de vida e muitos outros pontos positivos. <3

Postado por: Gabriela Marcondes






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Você não é uma pessoa difícil de lidar

27 de março de 2018


Muitas situações na nossa vida nos fazem pensar que somos pessoas complicadas. Assumimos um sentimento de culpa, nos preocupamos com pensamentos que nos fazem se desentender com nós mesmos. Mas quero deixar um recado importante nessa postagem: Você não é uma pessoa difícil de lidar! Acredite! Não são relacionamentos, pessoas, situações, momentos ruins que definem exatamente quem você. A gente passa muito tempo moldando quem somos através de ocasiões da nossa vida e opiniões alheias. Mas, por favor, não se prenda a isso! Dê uma chance de se amar, de aceitar que alguns erros, inseguranças e defeitos fazem parte da sua existência, faça as pazes com você mesma(o), perceba que você não é aquilo que aconteceu com você, você é sempre aquilo que escolhe se tornar!


Postado por: Gabriela Marcondes

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